sábado, 15 de junho de 2013

Distantes



O olhar pela janela busca o horizonte na direção onde o Sol se põe.
Alegra a alma a luz alaranjada do fim da tarde. Seria por que é também naquela direção que fica a estrada que corta o Sertão e a levaria para junto dos seus? É provável!
As melhores lembranças do Sol era o seu ponte. Do céu, o seu azul vibrante com nuvens ao longe. Das estrelas, os seus tilintares aos milhões, cobrindo o céu escuro de pontinhos brilhantes onde se podia formar desenhos; marcar pessoas...
De onde e como se está agora, poucas vezes ela acompanha o Sol se por trás de alguma barreira natural. O céu freqüentemente  tem nuvens sobre sua cabeça e muito chove.
As únicas luzes brilhantes são artificiais e não se pode fazer desenhos, muito menos marcar pessoas... Suas escolhas.
Tudo está na lembrança, buscada a cada dia, a cada noite fria e silenciosa, quando a saudade encontra espaço na mente e no coração tão agitados...
Ela precisava escrever como há muito não fazia. Expressar o que vem de dentro tão intima e carinhosamente guardado. No que estão pensando? Sobre o que conversam?
Como é a sua saudade?
Já estivera mais distante fisicamente, mas nem o tempo, nem os quilômetros a menos conseguem afagar um coração saudoso.
Ela fecha os olhos e tenta visualizar cada um em suas orações e pede a Deus que um dia essa distância acabe em tempo. A tempo de ver um por do sol o dia que quiser a beira do Velho Chico tendo antes reclamado da temperatura escaldante. A tempo de ter calma e olhar as estrelas sem ser ofuscada pelas luzes da cidade...
E após tudo isso, finalizar o dia olhando nos olhos da sua família dizendo boa noite. Porque sem isso, nenhuma dessas lembranças teria o menos sentido nem a menor importância.
Como as escolhas erradas doem...


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