O olhar pela janela busca o horizonte na direção onde o Sol se põe.
Alegra a alma a luz alaranjada do fim da tarde. Seria por que é também
naquela direção que fica a estrada que corta o Sertão e a levaria para junto
dos seus? É provável!
As melhores lembranças do Sol era o seu ponte. Do céu, o seu azul
vibrante com nuvens ao longe. Das estrelas, os seus tilintares aos milhões,
cobrindo o céu escuro de pontinhos brilhantes onde se podia formar desenhos;
marcar pessoas...
De onde e como se está agora, poucas vezes ela acompanha o Sol se por trás
de alguma barreira natural. O céu freqüentemente tem nuvens sobre sua cabeça e muito chove.
As únicas luzes brilhantes são artificiais e não se pode fazer desenhos,
muito menos marcar pessoas... Suas escolhas.
Tudo está na lembrança, buscada a cada dia, a cada noite fria e
silenciosa, quando a saudade encontra espaço na mente e no coração tão
agitados...
Ela precisava escrever como há muito não fazia. Expressar o que vem de
dentro tão intima e carinhosamente guardado. No que estão pensando? Sobre o que
conversam?
Como é a sua saudade?
Já estivera mais distante fisicamente, mas nem o tempo, nem os
quilômetros a menos conseguem afagar um coração saudoso.
Ela fecha os olhos e tenta visualizar cada um em suas orações e pede a
Deus que um dia essa distância acabe em tempo. A tempo de ver um por do sol o
dia que quiser a beira do Velho Chico tendo antes reclamado da temperatura
escaldante. A tempo de ter calma e olhar as estrelas sem ser ofuscada pelas
luzes da cidade...
E após tudo isso, finalizar o dia olhando nos olhos da sua família
dizendo boa noite. Porque sem isso, nenhuma dessas lembranças teria o menos
sentido nem a menor importância.
Como as escolhas erradas doem...

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